quinta-feira, 28 de abril de 2011

Então a noite era escura e fria, e eu só queria uma resposta, que não chegou  - Que nunca chegou.

- Eu gosto dele 

- Mas gostar não é mais que amar

- Não sei d o que você está falando

- De todas as vezes que tu disse e repetiu o que sentia por mim, e não era gostar

- Você nunca esteve confuso?

- Eu estou agora

- Em que?

- Entre duas coisas com que me importo, mas que não convivem juntas

- Quais são?

- Você e meu orgulho

- Por  que?

- Porque ele foge quando estou de frente pra ti

- Você demonstra sempre ser tão forte

- Você é minha morfina
Chegou com a força e a rapidez de um cometa; deixou estragos tão grandes como um tufão. E talvez o pior de tudo nem seja isso, ferida por ferida, ela já residia ali, com outro nome, outro gosto, mas com a mesma essência.
É claro que agora é tudo mais recente, é claro que aparenta doer mais – Mas não dói, é só utopia.
Tudo isso me remete a um tempo que parece tão distante quanto o de quando eu prendia abelhas em garrafas no jardim da casa da minha avó, só pra vê-las voarem até perderem o fôlego, mesmo que em tempo real não faça tanto tempo – Faça até muito pouco. São lembranças frias, de uma época efusiva e inconsequente, que tudo o que eu queria era querer mais o que eu deixei de querer logo após conseguir.
Talvez o pior seja ver tudo que eu deixei pra trás voltar como um filme, em que o final não pertenceu a mim. Talvez o pior é ver que o anti-herói me assusta e me encanta mais do que o que encarnava antes esse papel
As vezes eu penso em te ligar, as vezes eu penso em implorar até te ver voltar. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O rock acabou, melhor ligar sua TV

A decadência da musica vem influenciando vários gêneros, e, infelizmente, o rock não poderia ficar de fora.
As letras com clamor de liberdade e amor, antes tão conhecidas, agora vão dando lugar a “Yhos e Yeahs” cada vez mais repetitivos e com arranjos musicais que, cá para nós, se parecem mais com os da Xuxa.
As bandas brasileiras são um exemplo claro desse fenômeno: As calças jeans rasgadas, os músicos cheios de atitude e o velho símbolo do rock estão sendo trocados pelas calças coloridas e crianças de vinte anos acompanhadas de seus coraçãozinhos feito com as mãos.
Algumas semanas atrás, um comentário (Um tanto quanto dispensável) do cantor pop Justin Bieber  deve ter feito o velho vocalista do Nirvana se remexer em seu túmulo. “Sinto-me o Kurt Cobain da minha geração, mas as pessoas não me entendem”. É, meu querido garoto  “prodígio”, é claro que as pessoas não entendem, além dos dois serem músicos e do sexo masculino a unica semelhança entre os dois é o reconhecimento da juventude - Mas não a mesma. Antes voltada para seu ideal, que defendia até o fim sua causa, o que nem se compara a de agora, alienada e vendida para a MTV.
É claro que toda regra ainda tem sua exceção, ainda se fazem (poucas) bandas como antigamente, no cenário nacional e internacional, mas, com certeza, Cine e Tokio Hotel não estão entre elas.

O meu maior defeito é fazer das pessoas aspirina - Até alivia, mas volta pior depois.

ㅤㅤ

O meu presente está sempre batendo de frente com meu passado. É como se toda vez que o meu “eu” de hoje se sente completo, realizado, o “eu” de antes volta pra dizer que não era nada disso que eu almejava, que não posso renunciar a tudo que lutei tanto pra conseguir.
Talvez seja isso – Talvez eu esteja mesmo renunciando a tudo o que eu queria, e que no fundo, só acabou fazendo mal.
E toda vez que isso acontece eu acabo voltando atrás, porque meu medo de tentar me impede de viver, porque é frio não ter pra onde voltar.
Mas essa noite tudo é diferente, o calor que invade a sala não me deixa desistir.
Então, por favor, querido passado, continue adormecido, aí no seu lugar, se fazendo presente apenas em forma de memórias, e não se meta mais na minha vida. Não quando estou a um degrau de acertar – Ou de voltar ao início. 

Depois de algum tempo vomitando sentimentos em folhas de papel, você acaba por entender que tudo que você escreve, é o que fundo você queria ouvir de alguém - Ou de apenas uma pessoa em especial.


Tudo correu tão rápido que ainda é difícil assimilar o coquetel de sentimentos que agora giram desorbitadamente em minha cabeça.
Eu me sinto efusivo, ofegante e estridente, mas ainda tenho medo de subir muito alto, porque tudo que sobe um dia acaba descendo, e me dá calafrios a hipótese de estar desperdiçando saliva e sentimento com quem não merece - E eu não estou dizendo que ele não merece - Eu falo sobre mim, sobre como é difícil entrar em um jogo, que, uma vez perdido, causa feridas irreparáveis e que demoram a fechar.
Amar é como andar a noite em meio a um lugar desconhecido, é se dividir em dois, e deixar pra sempre uma parte sua em outra pessoa. E a pergunta é: Eu estou pronto pra viver com apenas uma parte de mim? Bem, eu espero que sim, porque é tarde demais, o passo já foi dado e eu não posso - Nem quero - voltar atrás
- Vai viver
- Eu não vivo sem você
- Então aprenda
- Mas se eu aprender, quem fará as escolhas por você?
- Eu farei
- E tu sabe caminhar sozinha?
- Você nunca me deixou tentar
- Dessa vez é diferente
- Ok então.
                    Silêncio…
- Eu fiz minha escolha
- E qual é?
- Eu escolhi deixar você escolher
- E por que?
- Por que eu não quero que tu aprenda a viver sem mim
- Mas essa não era a proposta?
- Eu sempre falo da boca pra fora, tu já deveria saber.
- Talvez. 

Quem apagou a luz?

- Você me tem nas mãos
- Se eu realmente tivesse, você estaria aqui
- E eu não estou?
- Mas não está comigo
- Pra mim é suficiente.
- Pra mim não. Pra mim só o que você quer é ter pra onde voltar, e eu sei que eu sou seu porto seguro.
- Então tá, você sabe de tudo
- Eu sei da minha vida
- E eu da minha
- Tu não sabe da tua
- Então não sei
- É, não sabe
- Vai viver, vai
- Pode deixar
                          Silêncio…
- Eu amo você
- Eu não sei de nada